março 31, 2005

A rainha da Planície pode estar a despedir-se

Já não espanta que em Portugal só se fale de Santa Bárbara quando troveja. O Alentejo, infelizmente, não foge em absoluto a esta regra.
Para além de uma aposta 'a martelo' no turismo que há-de dar, se não se tiver cuidado, um resultado muito enviesado com os melhores objectivos; de uma aposta doentia, com décadas de existência, no cereais; de uma constante luta com os elementos e com a sua inclemência que não deixa de se mostrar muito insuficiente face aos constantes problemas de falta de água potável de que padecem as populações... para além de tudo isto, ainda se assiste, de há 20 anos a esta parte, a uma praga que mata sobreiros e azinheiras.
É contra esta situação que a Filcork pretende lutar. Estão em causa, para além da suinicultura e do ambiente, interesses multimilionários ligados à cortiça e que, pela expansão da sua actividade, se têm socorrido de importações consideráveis de cortiça oriunda do Magrebe e de Espanha. A praga que afecta a nossa região (se calhar por nossa sorte) não conhece fronteiras e estende-se a todo o Mediterrâneo e a toda a Europa.
Já debelámos a filoxera, podemos debelar a fitóftora. Como diz o outro: 'para grandes males, grandes remédios'...
Pode ser que desta feita se consiga evitar o pior. Pode ser que a rainha dos nossos montados não se canse do Alentejo e vá de férias.

março 28, 2005

Mértola

Eu também, nestas breves férias, passei por Mértola, tal como o Piotr.
Fui, mais a família, extramemente bem recebido por quem nos conhece na ADPM.
Mas quero convidar-vos a fazer um exercício comigo. Imaginem que fazem 200 e tal km para ir almoçar a Mértola. Imagem que não conhecem lá ninguém. Saem em Castro Verde da autoestrada e fazem a estrada Castro - Mértola (que de facto podia estar em melhor estado, como o Piotr sugere), olvidando o asfalto e contemplando a paisagem (na esperança de ver uma ou outra abetarda e deliciando-se com as cegonhas). Chegam a Mértola, estacionam o carro e passeiam pela Vila Velha. Não falam com ninguém. Gostam do que vêem. Resolvem ir almoçar. Entram no Migas de que ouviram dizer bem. Perguntam se têm cadeiras para bebés. Respondem que não. Almofadas? Também não. Perguntam se têm sopa para o catraio. Dizem que sim. Sentam-se com o puto a saltitar do colo da mãe para o colo do pai e deste para o daquela. Afinal, já não têm sopa. Ainda assim resolvem ficar. Mas sempre vão ouvindo que se quiserem podem ir embora. O atendimento é repentino, pouco atencioso e descuidado.
É uma pena que haja quem não se dê sequer ao trabalho de uma singela dose de simpatia e educação; é que sendo responsáveis pela primeira interacção de muitos turistas com alguém da terra, podem muito bem fazer com que seja a última.
Turismo, não é?

março 27, 2005

Outra curiosidade

Na Mina de S. Domingos tive ocasião de ver a iniicativa privada da nova pousada de requinte e luxo... servida por aquelas estradas estou certo que vai ter clientela aos montes...e quando o vento estiver de sul será que lá chega o cheiro das pocilgas sem tratamento de espécie alguma que outra iniciativa privada mais ad hoc implantou umas centenas de metros desviadas?

Cuidava eu que existia uma lei neste país sobre este tipo de criação mais familiar e ad hoc de porcos mas não parece que não há rei nem roque....cada um faz o que quer...será que é para manter uma tradição milenar?

"Venha à Mina de São DOmingos e cheire a merda ancestral"

Já agora fica a dúvida

Mértola parece querer viver também do turismo.... podiam pois meter uns cartazes a dizer se circular no concelho de Mértola circule a quarenta não ultrapassa carros de bestas que depois não temos hospital para tratar politraumatizados....

"Isto é uma vila histórica fundada pelos Árabes...circule à velocidade do século dez"

Páscoa no Alentejo...

Ora de regresso de mais umas mini férias no monte....

mesmo à saída do dito... estrada Mina de S.Domingos Mértola por alturas da Moreanes...um tipo vai ultrapassar um carro, o cavalheiro do outro carro distrai-se com a conversa oscila para o meio da estrada e quase coloca um tipo fora da estrada. Nada de grave, não fossem as bermas excelentemente conservadas pela JAE (que parece querer impingir a coisa à Câmara de Mértola e Às outras câmaras da região...) que me rasgaram os dois pneus do lado esquerdo... nada que uma chamada para a assistência em viagem, umas horas perdidas, um reboque, mais a boa vontade do comerciante de pneus local (sorte do caraças tinha os pneus da marca instalada no meu carro e tudo) e cerca de 400 euros (já com a ecotaxa IVA e desconto de 30% para não estragar totalmente o Domingo de Páscoa)....só faltou comprar um ambientador pró carro....parece que mais ou menos no mesmo sítio o carro do Presidente da Câmara de Mértola com o dito lá dentro, na semana passada, experimentou esta deliciosa situação com resultado idêntico (dois pneus rasgados)...

Aproveito pois para desejar à JAE (nacional, regional, distrital ou a puta que os pariu qualquer que seja a forma de organização) um bom Ano Novo e espero que numa estrada de Mértola Serpa, Mértola Almodovar ou Mértola Castro Verde um dos seus (ir)responsáveis possa ususfruir duma experiência inovadora como esta....é que há umas décadas que aquelas estradas são uma Ganda Merda.... e ....olha continuam na mesma....

Espero, claro está, que não levem os filhos com eles como eu, para não se assustarem mas espero também que possam espetar-se contra uma das árvores que distam da estrada centímetros.... um Bom Natal....

PS: se possível um acidente com uma autoridade local ou regional ou mesmo (sorte do caneco) com uma autoridade nacional nessas estradas para ver se aquelas vielas medievais eram substituidas por tapetes como o Mértola a Beja....

Nestes dias de código da estrada fresqueinha aproveito para dizer que circulava a 80 km vesti o colete e pus o triângulo (já tenho dois) e só não lancei um fogute luminoso porque era de dia....

março 23, 2005

«Raul Santos e Luís Ameixa encontraram-se e abordaram questões relacionadas com a região.»

Esta frase foi transcrita de uma notícia da Rádio Pax sob o título «Raul Santos disponível para defender região»!
Será preciso dizer mais alguma coisa? Será que ninguém quer ver o óbvio, que existe um acordo, verbal que seja, entre as direcções distritais do PS e do PSD do Baixo Alentejo, que contrariam a vontade da maioria dos seus cidadãos, a vontade do Primeiro-Ministro e do Presidente da República?
Preferem meter a cabeça na areia? Pois façam-no, é tudo uma questão de hábito, mas há hábitos aos quais resistirei habituar-me, enquanto puder!
É uma vergonha termos dirigentes partidários como os que temos.
A culpa? A culpa é de todos nós, dos que se calam e dos que os sustentam!

março 22, 2005

O Autismo do PS do Baixo Alentejo

Após o arrepio que José Sócrates provocou nas estratégias da Federação do Baixo Alentejo do PS, esta mantém-se muda, sem reacção, como se nada tivesse ocorrido, estando já agendada para amanhã uma 1ª reunião da tal AMBAAL - Associação de Municípios de Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, sob a Presidência de João Rocha, Presidente da Câmara de Cuba, que pretende debater o futuro da EDAB - Empresa para o Desenvolvimento da Aeroporto de Beja!
Mas a que propósito se nem sequer são accionistas da mesma? Accionista é a, pelos vistos extinta, AMDB - Associação de Municípios do Distrito de Beja, que juridicamente não tem agora representantes legais!
Os dislates deste PS Baixo Alentejano, liderado por Pita Ameixa, irão continuar até quando? Quando será que a direcção nacional do PS porá termo a esta chaladice?

março 21, 2005

Pesada Derrota do PS do Baixo Alentejo

Hoje, no seu discurso de apresentação do programa de Governo, o Primeiro-Ministro corrobora as palavras do Presidente da República ao afirmar que inviabilizará a dispersões de ministérios e as descentralizações aprovadas pelo Governo de Durão Barroso, optando por incremenbtar uma forte descentralização para as Regiões-Quadro, isto é, para as 5 regiões continentais oficialmente reconhecidas pela União Europeia, nas quais existem as estruturas conhecidas por Comissões de Cooredenação de Desenvolvimento Regional, reunificando o Alentejo num só, como sempre deveria ter sido feito, embora não tivesse adiantado (também não o local e o momento próprios) sobre se iria rever ou revogar simplesmente as aludidas Leis-Quadro.
Ora, a recém criada "AMBAAL - Associação de Municípios de Baixo Alentejo e Alentejo Litoral" cujos orgãos sociais foram eleitos à pressinha e por unanimidade há dias (ver notícia Rádio Pax), vem ao arrepio da estratégia, em boa hora aprovada por José Sócrates e já anunciada por Jorge Sampaio de não dividir o Alentejo, antes buscar uma liderança forte e falar a uma só voz.
A Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista, depois de ter colocado, com a conivência do PSD, a Associação de Municípios do Distrito de Beja na ilegalidade durante mais de um ano, cria à pressa uma nova para servir os seus interesses particulares e clientelares que colidem com os do Alentejo, com as regiões-quadro assumidas pela U.E. e com a estratégia do novo governo em matéria de descentralização.
De uma só vez e em poucas palavras José Sócrates põe termo às pretensões espúrias de significado estratégico de quem queria ver o Alentejo esquartejado e coloca, a meu ver, a liderança da Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista numa posição que não lhe resta senão uma saída - a demissão!
Luís Pita Ameixa e seus correlegionários vêem a sua política, a sua estratégia e, mais importante ainda, o seu modo de gerir condenados e inviabilizados e, a não ser que de repente surjam a defender exactamente o contrário do que sempre apregoaram, não lhes restará outra via que não a evidente resignação dos cargos que ocupam!
Mas isto de política aqui para estas bandas dá cada volta...

março 16, 2005

O Voto é uma arma nas mãos de quem?

Via Gato, um blogue dedicado a Cuba (do Alentejo, claro está), tomei conhecimento de uma situação inacreditável: o concelho tem 6 ETAR's (facto assinalável) e há uns anos que a Câmara permite que nenhuma esteja em funcionamento!
Não acreditam?
Dêem um salto aqui ao Gato e digam-me se se consegue perceber como é que esta gestão municipal que vai no 2º mandato consegue ganhar eleições, em calhando, com maioria absoluta!
A quem e servem estes votos se nem sequer aos eleitores?
Será que o Partido Socialista permitirá que o actual Presidente se recandidate?
Inacreditável!

março 10, 2005

Quo vadis, administração pública central desconcentrada?!

Quando é que pára a paranóia de controlo?
Quando é que a administração pública deixa de andar em contra ciclo?
Quer ser eficaz onde devia ser eficiente (gastando mais do que devia e não conseguindo os objectivos) e quer ser eficiente onde devia ser eficaz (gastando menos do que o necessário e não conseguindo os objectivos)! Para quando profissionais, com visão e formação em gestão, à frente dos serviços? Quem virá para a Segurança Social? Quem virá para os Centros de Formação? Quem virá para os Centros de Emprego?

Quo vadis, empresários alentejanos?!

Há uma medida, no POEFDS (Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social), destinada a financiar a implementação de práticas de Desenvolvimento Organizacional nas organizações.
Alguns dados:
2003 – 168 projectos apresentados – 33 aprovados – 0 projectos no Alentejo
2004 – 180 projectos apresentados – 80 aprovados – 1 projecto no Alentejo (Sines)
Quo vadis, empresários alentejanos?!

Quo vadis, sociedade civil bejense?!

Braga. 3ª feira, 8 de Março. Um frio de rachar. 21h. Chelsea-Barcelona na televisão.
Salão Nobre e sala adjacente da Associação Comercial de Braga a abarrotar.
Quando comecei a falar, deviam ser para aí 23h30, ainda por lá estavam aproximadamente 200 pessoas; entre empresários, consultores, estudantes e representantes de entidades oficiais. Todos para discutir o tema “Gestão de Recursos Humanos”. Eu bem sei que Beja não é Braga. Mas, à sua escala, o que é que a Associação Comercial de Beja tem feito?

março 07, 2005

" Não, não estamos interessados em expandir-nos"

Ao que nos confidenciou um amigo ligado a uma rádio local aqui da Planície, esta é a resposta mais ouvida por quem está encarregado de angariar fundos publicitários para a estação. É, segundo ele, 'a resposta da moda'.
Respondendo assim os comerciantes conseguem 3 coisas (todas começadas por 'não'):
- Não dizer que não sem uma justificação plausível (que é como quem diz!).
- Não parecer demasiado ambiciosos.
- Não correrem o risco de se humilharem dizendo que não há capitais para pagar os salários aos empregados, quanto mais uma sempre falível publicidade.
O Português é 'munta giro'. Em que outra língua a ausência de ambição e a falta de perspectivas pode ter um 'ar elegante'?