abril 21, 2005

Pirites S.A.: Question, uuau!... and what a question!...

Será verdade que o estado português não recebeu um centavo (um cêntimo...) pela venda do património das Pirites à Eurozinc? Que essa (ao que dizem, literalmente!!!) 'bagatela' só será paga se a Eurozinc der lucro?
Se isto for verdade, o que custa a crer... é brilhante!...
Tão brilhante, mas tão brilhante, que encadeia até à cegueira.

P.S.: Não acusamos (por enquanto...) ninguém e aceitamos qualquer desmentido que imediatamente destacaremos e sublinharemos.

abril 13, 2005

E o fundo das costas lavado com água de malvas?...2

'À laia' de princípio de conversa, pode imaginar-se uma situação digna dos Monty Pytons ao seu melhor nível. Imaginemos alguém que se apresentasse perante um político (desses que aparecem um pouco por todo o lado) e lhe propusesse algo como:
"Boa tarde, chamo-me Artur, sou empresário e quero fazer uma empresa que lhe há-de resolver aí uns problemazitos... "
Como, pergunta o Dr.?
É fácil! dê-me aquela fábrica de ursos de peluche desactivada, arranje-me um subsídio de hummmm...sei lá!... uns 5 000 000 de euros, livre-me da concorrência e consiga-me 200 'gaijos' que não me 'chateiem a molécula' que eu, num ápice, monto aqui uma fabricazita de... vá, por exemplo, de coletes reflectores para a GNR!
Mas aviso já: se a GNR não quiser os coletes, se os trabalhadores me derem trabalhos ou se o dinheiro não aparecer, vou-me embora e fico ou com a fábrica, ou com a fábrica e com o dinheiro do subsídio que já tiver no bolso!..."
O impensável, perante uma proposta deste calibre, acontecia: o político em causa, babando-se aceitava-a todos sorrisos e palmadinhas nas costas e, no dia seguinte, fazia um comunicado em que se auto-atribuia os méritos pela reabertura da fábrica dos ursos.
A oposição irada reagia negando esses méritos que, no seu douto entender, lhes pertenciam.
O Carlos Alves perguntou, no seu comentário à 'E o fundo das costas...1', se havia informação pública disponível para a elaboração desta posta sobre a reabertura das 'Pirites Alentejanas', em Aljustrel. Há! O incrível de tudo isto é que o processo tem sido feito quase sem secretismos! Este processo tem-se desenrolado alegremente perante os olhos crédulos de todos!
Foram, muito resumidamente, estes os passos determinantes deste imbróglio:
1.-Depois de um subsídio de 17.000.000 de contos!!! investidos numa lavaria a empresa fechou em 1993. (Toda a gente sabe).
2.-O Estado, há dois ou três anos, deixou de ser accionista maioritário das Pirites. Previamente a empresa estrangeira, havia-se dado ao luxo de confirmar todas as sondagens geológicas feitas por uma equipa portuguesa idónea ligada à, salvo erro, EDM. (Dos jornais... até esteve no barbeiro local um recorte de uma notícia do Expresso relatando esta realidade!)
3.-Foi preciso esperar que a cotação do zinco subisse (dos jornais). O zinco subiu (dos jornais).
4.-Não contentes com esta premissa (anteriormente determinante) a Eurozinc (a empresa em causa) exige agora que, para além da manutenção do preço elevado do zinco, haja ainda a atribuição de um subsídio de mais de 14 milhões de contos e que não se verifique a eclosão de problemas laborais -greves!
5.- Os partidos mais votados na terra andam às turras para conseguir os méritos desta !!!POSSÍVEL!!! reabertura.
Por estar num link provisório, como o são todas as notícias do DA, deixo aí abaixo a notícia que dá conta da veracidade do ponto 4 (com destacados meus).
Quanto ao ponto 5 , tenho em meu poder um dos vários panfletos já publicados pelas forças políticas locais. De qualquer forma a notícia abaixo dá bem conta dessa situação...

"Mina de Aljustrel retoma laboração

Realizou-se na terça­-feira, 5, em Aljustrel, uma sessão promovida pela administração da empresa Pirites Alentejanas, para apresentação pública do projecto de retoma da actividade na mina de Aljustrel. Participaram da reunião, entre outras entidades, o presidente da empresa, James Drake, e o presidente da Câmara de Aljustrel, José Godinho. Foi, aliás, a autarquia que, logo na manhã seguinte, distribuiu pela população um comunicado sublinhando que "estão praticamente asseguradas as condições para que, finalmente, a exploração mineira possa ser retomada". Regozijando-se com o anúncio de uma decisão "da maior importância para o futuro de Aljustrel, pela qual nos vínhamos batendo desde o momento em que a mina suspendeu a sua actividade em 1993", o município felicita e homenageia os trabalhadores da Pirites e suas estruturas representativas, "que vêem assim coroada de êxito a persistente luta que travaram durante muitos anos".James Drake explicou que se prevê "um investimento de 100 milhões de dólares americanos" (cerca de 70 milhões de euros) no projecto de "pelo menos 10 anos". A ideia é introduzir alterações na lavaria de Aljustrel, preparando-a para a produção, e, durante um ano, extrair sobretudo zinco, mas também chumbo e cobre, do filão do Moinho. Ao mesmo tempo, iniciar a preparação da exploração do filão de Feitais, ao longo de dois anos, abrindo-se cinco quilómetros de túneis. Para o relançamento da actividade, a juntar aos 70 trabalhadores actuais, prevê-se a admissão de mais 200 trabalhadores permanentes.Segundo Drake, a aprovação deste projecto pela Eurozinc, o grupo que ficou com a Pirites Alentejanas, quando o Estado a privatizou totalmente, depende de três condições. A primeira, que o preço do zinco continue elevado no mercado mundial. A segunda, que sejam concluídas com êxito as negociações entre a Pirites e a Agência Portuguesa de Investimentos – "as conversações estão bem encaminhadas" –, no sentido de canalizar fundos comunitários e de outras origens. E a terceira, que haja um clima de "paz social" na empresa, durante cinco anos: "Necessitamos de ajuda e cooperação dos trabalhadores, através do sindicato. Oferecemos um aumento salarial de 15 por cento no arranque, mais um prémio de laboração se o preço do zinco metal se mantiver alto, mas precisamos que a mina, tal como a lavaria, labore sete dias por semana, embora ninguém trabalhe mais do que as 37,5 horas semanais".Se se verificarem estas três condições, assegura James Drake, a Eurozinc deverá tomar uma decisão "no decorrer deste trimestre", isto é, o mais tardar até Junho.Para além da Câmara de Aljustrel e do Sindicato Mineiro – ambos considerando o anúncio da eventual retoma como "histórico" –, também o PS de Aljustrel saudou a "nova" Pirites Alentejanas e o "projecto de refundação" das minas de Aljustrel, comprometendo-se "perante os munícipes a estar atento ao progresso da situação de salvaguarda dos interesses de Aljustrel". "Dia histórico, sim senhor!"Os trabalhadores da Pirites Alentejanas reuniram-se em plenário, em Aljustrel, na quarta-feira, 6, para analisar a proposta apresentada pela empresa, na véspera, tendo em vista o recomeço da exploração mineira.Na resolução aprovada, intitulada "Dia histórico, sim senhor! Já não são só os trabalhadores que acreditam na retoma das Pirites", os mineiros congratulam-se com as perspectivas de retoma. Contudo, "não se conformam" com a falta de uma data concreta para o reinício da laboração, nem com o facto de que "apenas se fale em cerca de 200 admissões quando sempre se falou em 350".Através do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, os trabalhadores fizeram chegar à administração da empresa as suas contrapropostas, que vão da formação de mineiros ao "clima social" preconizado, passando pelo prémio de produção, pela actualização do salário base e por novos horários.Carlos Formoso, presidente do STIM, mostra-se convencido de que "os termos e a disponibilidade expressos na resolução, particularmente quanto ao "clima social", são suficientes para que a administração antecipe e concretize a data para a retoma" da laboração. "Para que das entranhas da nossa terra os filões adormecidos sejam transformados em riqueza que reverta para o desenvolvimento económico e social da região e do País", preconiza. "
(Texto de Carlos Lopes Pereira no já citado DA)
08/04/2005 - 11h49
Lindo!...

O choque liberal

Após a leitura, aqui mais abaixo, do post do Carlos, ocorreu-me uma ideia que venho a defender desde há, para aí, 8 anos: quando, pela primeira vez, pus, verdadeiramente, os pés em terra alentejana. O Alentejo carece de um choque liberal! A ideia peregrina, utópica e, necessariamente, de esquerda de que é ao Estado que cabe desenvolver a região e melhorar as condições de vida dos cidadão é altamente desresponsabilizadora dos agentes privados – porque é levada demasiadamente à letra. É verdade que o Estado (seja por via dos organismos da Administração Central desconcentrados, seja por via da Administração Local, seja – para a esquerda mais audaz – por via do financiamento das organizações da Economia Social) tem um papel importante nestes desafios e ainda mais numa região com os estrangulamentos estruturais do Alentejo. Mas o que se tem assistido ao longo dos anos é que as políticas públicas levadas a cabo na região, ao invés de estimularem a autonomização, aprofundam as dependências. E este facto, absolutamente incontornável, pode ter uma de duas origens – deixo-vos a escolha da que vos parecer mais acertada… – : (i) ou a opção ideológica para a região tem sido demasiadamente estatista e carece de uma vontade expressa de desregulamentação, de simplificação, de termo dos subsídios, etc. ou (ii) há uma lógica clientelista, de pequenos e grandes favores, configurando a rede constituída por boa parte dos lugares de poder uma verdadeira teia mafiosa ao serviço de interesses alojados dentro dos partidos, e nessa caso carece de intervenção da justiça e de um acelerado processo de circulação de elites.

E o fundo das costas lavado com água de malvas?

As Pirites Alentejanas reabrirão se se verificarem cumulativamente as seguintes condições:
1.- Paz social na empresa durante cinco anos;
2.- Preço alto do Zinco nos mercados internacionais e;
3.- Haja desbloqueamento de 20 000 000 de dólares em subsídios da CE.

Fica a forte ideia de que a não verificação de uma destas condições invalida a abertura da mina e deixa sem efeito a criação dos prometidos 200 postos de trabalho.
Acresce que o Estado Português abdicou muito patrioticamente da maioria nas acções da Empresa.
Por miúdos: o subsolo dos portugueses viventes e por nascer foi depositado nas benfazejas mãos de um senhor chamado... Drake (não, não é Francis...).

Daqui se conclui que esta empresa não cumpre regras de mercado, recorrendo aos subsídios da Comunidade; não cumpre regras de cariz social, conforme o nosso Presidente advoga em França e não respeita a integridade nacional agindo a seu belprazer no subsolo pátrio (nesta coisas sou orgulhosamente muito 'old fashion').

Pior, tal como a anedota do carro que aquela família haveria de comprar, os políticos locais já cantam loas à empresa, disputam o seu mérito na reabertura de uma mina que já abriu... em princípio!

Querem melhor anedota? -Impossível!...

Pior ainda: Parece que já ninguém se admira de nada. Tudo, tudo é assumido com eufórica naturalidade (passe o eufemismo...).

abril 11, 2005

BEJALTERNATIVA - sim ou não?

O Luís Dinis questiona-se no Tem Avondo sobre a justeza da decisão da Câmara de Beja de não dar continuidade ao BEJALTERNATIVA, aqui.
Já lá comentei, dizendo que não posso estar defender um evento comercial financiado por dinheiros públicos, mas ao dizer isto não estou a defender o fim do BEJALTERNATIVA!
Vamos por partes, Luís Dinis:

1 - "A cultura não pertence às elites"
Não pertence nem deve pertencer. No entanto, a existência dessas elites é fundamental para promover e levar a cultura a todo o lado, a todos e o mais diversificada possível. Poder-me-á dizer que não é isso que as elites fazem e dar-lhe-ei razão. O problema estará em saber que elites são essas que em elites se pretendem constituir?

2 - A continuidade da BEJALTERNATIVA
Nunca defendi a sua descontinuidade, bem pelo contrário, atendendo à qualidade da programação (em especial a do ano passado). O que não posso estar de acordo é que sejam os dinheiros públicos a financiar eventos comerciais.

A isto respondeu o Luís Dinis muito bem, levando-nos a outra questão pertinente: por que será que a Câmara de Beja, seja a divisão da juventude seja a sócio-cultural, tudo fizeram e fazem para matar a iniciativa privada na promoção de eventos? Por que é que se impõem sempre como organizadores não dando espaço à inciativa privada nem ao desenvolvimento da captação de financiadores privados?
É nesta sede que reside o principal entrave, amigo Luís Dinis. A vocação dos poderes públicos deverá ser promover a iniciativa dos cidadãos na organização e exploração de eventos comercialmente sustentáveis, cedendo ou até, porque não, alugando os seus espaços para o efeito, para se concentrar no financiamento de eventos, diria de vertente mais educativa.
Se fosse desta forma a inciativa privada desenvolvia-se, permitindo-lhe a tal criação de riqueza que anuncia e a Câmara teria a possibilidade de concentrar o seu orçamento em iniciativas bem mais adequadas ao seu papel.
O facto de monopolizar a organização de todos os eventos (e, meu estimado Luís Dinis, ou muito me engano ou o silêncio em volta do Pax Julia anuncia que vão optar pelo mesmo caminho), suga por completo os parcos recursos da câmara e mata o aparecimento e desenvolvimento de promotores culturais independentes e respectivos financiadores privados que não estão, como muito bem disse, para ver o dinheiro que dão reduzido à pequenez do logotipozinho num cantinho de um cartaz! Quem investe é porque quer estar e para estar tem de mostrar que está!
Por último, Luís Dinis, nestas reflexões creia que nunca o Tem Avondo estará sozinho!

ps: este post também foi colocado no Ideias Soltas

abril 04, 2005

Cuba tem novo ECOCENTRO

Ora vejam:



Tem sim senhor, novinho em folha, pronto a ser estreado ............... há 8 anos!
Como? Nunca laborou?
A informação aqui fica, via Gato, donde descaradamente saquei a fotografia, sobre a qual está o link directo para o post..

abril 01, 2005

Governadores Civis
Beja - Manuel Soares Monge
Évora - Henrique António de Oliveira Troncho
Portalegre - Jaime da Conceição Cordas Estorninho
Setúbal - Maria Teresa Mourão de Almeida