janeiro 17, 2005

Capelinhas, museus e turismo rural

Escrevi na Planície Heróica, a propósito do Museu do relógio de Serpa e do seu director, o seguinte:
"Este é um país de capelinhas. Em Portugal é complicadíssimo que um cidadão, ou um grupo de cidadãos, mantenha um museu. A solicitação de um qualquer apoio estatal transforma-se num pedido armadilhado. Antes do subsídio, que na maior parte dos casos não vem, surgem as pressões de todo o tipo para que o espaço museográfico seja integrado num qualquer museu 'oficial'. O pretexto é quase sempre o de assegurar que aquela colecção tenha uma apresentação museográfica conforme com as regras estabelecidas. Esta realidade, no entanto, esconde interesses políticos pouco confessáveis e vaidades ou invejas pessoais de baixa estirpe. E isso é estranho e é contraditório numa altura em que se fala tanto de turismo no espaço rural. Espera-se que os turistas disfrutem do bom ar do campo, da natureza, da fauna indígena... E se chove? e se venta? e se faz muito frio? e se um dos membros da família tem outros interesses? Num sistema que castiga os museus privados. Um sistema que promove a centralização dos museus em sedes de concelho, de distrito ou na capital a acção deste homem é meritória a todos os níveis."
De facto é necessário dinamizar todas as iniciativas que indivíduos, ou grupos de indivíduos, levem a cabo e que, de alguma forma, enriqueçam a oferta turística das zonas rurais.
Já o disse, e repito-o: muitas das casas propostas para o turismo de habitação cheiram a mofo, a velho. Muito dificilmente obrigaria a minha família a permanecer uma noite em algumas dessas casas apresentadas como típicas. Não se pode pedir a quem vem gozar uns dias de descanso que esteja imbuído de algum tipo de masoquismo.
Isto para dizer que, na ânsia de criar um ambiência que se determinou como tipica, há algo que tem que ver com uma certa 'ditadura do gosto'. Quase um preconceito; melhor: um pré conceito...
É este espírito massificador, unificador e castrador - muitas vezes canhestro e arrogante - que impera entre muitas cabeças pensantes das zonas de turismo do interior.
No caso do Alentejo esta política é agravada por interesses pessoais e políticos dificilmente explicáveis. (Ainda aqui haveremos de falar do facto inconcebível de se dividir ao meio, entre Beja e Évora, a região de Viana do Alentejo, Alvito, Cuba, Vidigueira e Portel... uma habilidade...)
É este raciocínio que impera quando se menosprezam, em termos de Região de Turismo, museus particulares, quando se obrigam museus a integrar como núcleos (!!!!) museus concelhios...
Quando é que os responsáveis deste Alentejo começam verdadeiramente a deixar de ter medo da iniciativa privada e associativa? Quando é que percebem que são eles, em muitos casos, os primeiros responsáveis por algum atavismo das pessoas ao pretenderem estabelecer cânones -que são os seus!- para as iniciativas da sociedade civil?
O que fazer? Para já integrar todas essas iniciativas em rotas temáticas (tascas, petiscos, museus etnográficos, museus locais, colecções...). E depois demonstrar sem paternalismos que se quer ajudar a melhorar sem interferir com a autonomia e o orgulho de quem está disposto a fazer.

janeiro 14, 2005

A biblioteca de Beja

Para que não fique a ideia de que o Torre de Menagem está desiludido (ou pelo menos o cantinho da torre onde me sento) ou corrosivo em relação a todas as coisas que se passam na planície, hoje apetece-me dizer bem. Fui almoçar ao Chiado e encontrei uma das pessoas que faz parte da excelente equipa da Biblioteca de Beja. Uma das pessoas que me habituei a ver como fundamental no projecto e percebi na conversa que, quase 3 anos após a última vez que lá fui, a Biblioteca continua na vanguarda da divulgação cultural e a fazer da região uma região melhor. Levantem-se os ventos que se levantarem, mude lá o que mudar, espera-se que a equipa de Figueira Mestre, com a Paula, a Cristina e todas as pessoas que fazem daquele espaço uma ilha de excelência no país, continuem a ser vistos pela sua competência e pelos resultados à vista de todos.

janeiro 12, 2005

Parece que é… será?

Parece que a direcção nacional do PSD impôs Maria Graça da Costa como candidata pelo círculo de Beja.
Parece que a distrital bejense preferia Álvaro Barreto ou Maria da Graça Carvalho.
Parece que a direcção nacional do PSD se está nas tintas para os interesses locais.
Parece que o Raul dos Santos já não é assim tão influente junto do Santana Lopes.
Parece que, depois da previsível tormenta que aí vem, o melhor do PSD de Beja (que está precisamente na concelhia e no Governo Civil) será capaz de limpar a casa para preparar as eleições autárquicas.
Será?!