dezembro 24, 2005

A ComUrb do BAAL tem os dias contados. Deo Gratias!

(Publicado também na Planície Heróica)
A propósito do despedimento do director do D.A. e da sua substituição por um camarada do Ó Pacheco, Pulido Valente, presidente da Câmara Municipal de Mértola saiu-se, no final do seu artigo de opinião no referido D.A. com esta: "tenho muitas dúvidas quanto ao futuro da Ambaal". Esta ideia de acabar com a AMBAAL, apareceu mais forte e mais clara no Expresso saído ontem.
A estonteante questão que fica no ar é a seguinte:
"Esta rapaziada propunha-se fazer uma 'ComUrb a martelo' sem imaginar que o PCP a pudesse dominar?"
Estava uma ComUrb bem imaginada...
De bom, em toda esta situação, só a sensação de que 'a traição do Funchal' começa irremediavelmente a ter os dias contados, não por opção estratégica de fundo, mas porque alguém descobriu que um monstro destes podia fugir das mãos ao seu criador.
Até apostamos que, de ora em diante, nenhum socialista -a começar pelo Pulido Valente- se lembrará de manter um disparate destes na sua agenda.
E o Alentejo teve sorte... E teve sorte porque este foi um dos raros disparates imaginados pela nossa inefável classe política que, Deo gratias! não fez o seu caminho.
Voltando ao já citado artigo do Expresso cabe ainda dizer que as cabeçadas na parede sempre fizeram bem a muita gente...
Vem ao caso a afirmação do António José Brito, que dirigiu um jornal de propriedade privada, e que optou, nestas circunstâncias manhosas -a direcção de um jornal financiado por dinheiros públicos- por deixar o Campo e aderir ao D.A., e que vem agora dizer que seria melhor privatizar o D.A.

Já a seguir, e porque está alojado numa página temporária, o artiguinho do Pulido Valente.

"Porquê e para quê?
O PCP quer avançar unilateralmente com algumas decisões (...) designadamente “tomar de assalto” o “Diário do Alentejo” para o transformar novamente no “Avantinho Alentejano”.


A AMDB, agora Ambaal, foi desde a sua criação até Janeiro de 2002 "dominada" exclusivamente pelo PCP/CDU, força partidária que nunca se dispôs, enquanto deteve a maioria absoluta das câmaras da região, a partilhar minimamente "o poder" com qualquer dos outros partidos representados nas autarquias associadas.
Durante todos esses anos o PCP/CDU fez o que quis na AMDB, desde a nomeação dos administradores delegados aos assessores do conselho directivo (normalmente ex-autarcas da CDU derrotados ou reformados) passando pelos directores do "Diário do Alentejo" e da Gráfica, para já não falar nas orientações políticas que imprimiu ao funcionamento da mesma e do referido jornal e, já na última fase, à entrada "à pressão" de uma nova associada, a Câmara Municipal de Alcácer do Sal.
Fruto dos resultados eleitorais de 2001 a situação alterou-se substancialmente dado que o PCP/CDU perdeu a maioria absoluta e ficando empatado com o PS em número de câmaras deixou de ter o domínio exclusivo e absoluto da AMDB.
Em consequência desse facto iniciou-se em 2002 uma nova era na agora Ambaal, durante a qual foi possível despartidarizá-la, torná-la pluralista e aprofundar significativamente a democracia interna.
Funcionar nestes novos moldes nem sempre foi fácil e as decisões sobre questões estruturantes para a região demoraram o seu tempo a serem tomadas porque requereram discussões prolongadas e por vezes acaloradas. No entanto, porque a maioria dos associados soube colocar os interesses da região à frente das estratégias partidárias, a vida da Ambaal não só não sofreu quaisquer prejuízos como se tornou mais rica e conheceu uma intensificação significativa através do lançamento de novos projectos, alguns de dimensão e importância relevantes.
De salientar que neste período (desde Setembro de 2002) também o"Diário do Alentejo", propriedade dos municípios que compõem a Ambaal, então um jornal em declínio e falência, fortemente instrumentalizado pelo PCP/CDU, fechado à sociedade e à pluralidade de opiniões se transformou, com a entrada do novo director e a aprovação consensual do Estatuto Editorial, num verdadeiro órgão de comunicação social regional democrático, moderno, aberto, plural e economicamente mais equilibrado. O sistema de composição dos órgãos da Ambaal que vigorou no último mandato, – recorde-se após domínio total da CDU desde o nascimento da AMDB até 2002 –, foi o da rotatividade, sem dominância de qualquer força partidária e com representação de todas.
Funcionou bem, constituiu, para todos, um excelente exercício de aprofundamento da democracia e foi decisivo para se introduzirem as melhorias acima referidas. Se se comprovou ao longo deste último mandato que de facto o sistema que vigorou nesse período é o mais democrático, participativo e plural servindo melhor os interesses da Ambaal e da Região, porquê e para quê, então, voltar atrás?
Por que razão e com que objectivos o PCP/CDU acabou com o sentido e lógica democráticas da representatividade e rotatividade de todas as tendências político-partidárias no conselho directivo e introduziu (através da "compra" da abstenção do Grupo de Independentes) o poder absoluto de apenas uma, a qual nem sequer detém agora uma maioria absoluta das câmaras associadas? Em minha opinião, e vamos esperar para ver se me engano, o PCP quer avançar unilateralmente com algumas decisões que, à partida, já sabe que não vão ter o acordo das restantes forças políticas representadas nas câmaras associadas, designadamente "tomar de assalto" o "Diário do Alentejo" para o transformar novamente no "Avantinho Alentejano".
Se assim for tenho muitas dúvidas quanto ao futuro da Ambaal, sobretudo num momento em que esta Associação atravessa graves dificuldades financeiras e necessita de ver cada mais reforçada a sua união interna e a sua capacidade de mobilização dos outros actores regionais para fazer frente, com sucesso, aos desafios que se lhe colocam face à derradeira oportunidade que o Alentejo tem para vencer o futuro.
Para bem de todos nós espero, sinceramente, estar redondamente enganado!"


Jorge Pulido Valente

dezembro 22, 2005

Diário do Alentejo: o inevitável aconteceu


(Publicado também na Planície Heróica)

O Diário do Alentejo é propriedade da Associação de Munícipios do Baixo Alentejo e do Alentejo Litoral. O Director deste jornal é sempre nomeado pela Direcção da AMBAAL. A direcção da AMBAAL foi substituída em resultado das últimas autárquicas e, como tal, o cargo de director deste periódico podia estar em causa no caso da AMBAAL não abdicar de controlar o jornal. Ao que parece a direcção da AMBAAL não abdicou de o controlar.
As 'papas' habituais à pála dos dinheiros públicos. O costume...
É certo que o Diário do Alentejo tinha falhas muito graves. Fruto da envolvência na partidocracia provinciana que se vive em Portugal e, consequentemente, no Alentejo, confundia frequentemente pluralismo com politiquismo, o Diário do Alentejo nunca conseguiu fugir aos ditames dos senhores dos partidos que, com um oportunismo discutível, confundiam este jornal com as páginas de um 'boletim de empresa'. A sua voz estava sempre assegurada em crónicas atribuídas sem outro critério que não o de serem líderes políticos. E, digamo-lo com franqueza, o PS dominava-o motivando-lhe as causas e convidando-o a esquecer questões fundamentais. Recordamos, entre muitos outros exemplos, o apoio velado deste jornal à inenarrável ComUrb do BAAL que, de uma forma vergonhosa, foi acordada nas costas dos eleitores na cidade do Funchal . As desvantagens de uma regionalização feita num país de subsidiodependentes e de caciquismos vários, seria ilustrada - se não houvessem já os exemplos da Madeira e, em menor medida, dos Açores - por esta premencia de se mexer num dos supostos pilares da democracia (a Imprensa) como quem muda o sofá do gabinete.
P.S. 1: Lamentável a atitude do autarca de Alvito, o 'independente(?)' João Paulo Trindade. Ao fim e ao cabo a política partidária cria vícios... e que vícios!...
P.S. 2: Aborrecido, aborrecido é que não só esta situação não nos espanta, como a tínhamos já a previsto aí abaixo...

A notícia e o desabafo, que nos pareceu sincero, de António José Brito seguem já a seguir. Diga-se, antes de mais, que temos este jornalista por um homem sério e que acreditamos que 'Deus escreve direito por linhas tortas'... até pode ser que o saudoso 'O Campo' volte à ribalta, até pode ser que a televisão do Sul avance. Seja como fôr, estamos em crer que António José de Brito há-de arranjar um lugar à sua altura, livre de senhoritos e longe de figurões.

"D.A.
Em Setembro de 2002, quando a actual direcção assumiu o "Diário do Alentejo", o jornal era sectário e ausente de pluralismo. Só uma mente muito rebuscada, ou uma grave desonestidade intelectual, pode negar isso. Sabemos bem que a memória é curta, mas vale a pena lembrar que muita coisa mudou no "DA". Isso pode ser sentido todas as semanas, se se tiver um espírito independente. Acusar o jornal, hoje, de falta de isenção ou de alinhamento político com qualquer força, é uma ofensa aos seus leitores e uma imoralidade. Imoralidade porque, curiosamente, essa acusação vem sobretudo daqueles que durante 20 anos usaram o jornal como quiseram e entenderam, sempre ao serviço de uma estratégia partidária. Bem nos lembramos do estilo panfletário das manchetes, das inesquecíveis reportagens na Atalaia, dos oportunos e extensos apontamentos do general Vasco Gonçalves ou, claro, do objectivo branqueamento de um célebre "jantar da amizade", realizado em Beja, onde estiveram Carreira Marques, Lopes Guerreiro, Munhoz Frade, Rogério de Brito, Fernando Caeiros ou Joaquim Miranda. A memória é curta. Pois é, muitas vezes dá-nos jeito a memória ser curta. Hoje o "DA" não está submetido a estratégias partidárias e não envergonha os jornalistas que o fazem, porque são independentes no seu trabalho. Há notícias bem e mal escritas, reportagens que estão por fazer, entrevistas menos bem conduzidas, primeiras páginas mal elaboradas. Às vezes uma procura patética do equilíbrio democrático. Mas tudo isso é fruto de um trabalho puramente jornalístico, com virtudes e defeitos, mesmo que os do costume venham dizer o contrário – sim, os mesmos que não podem apontar um único exemplo de silenciamento e tiveram de se habituar à pluralidade e a terem o mesmo tratamento de todos os outros. Seja como for, o "DA" tem um longo e frutuoso futuro pela frente. Saberá estar à altura de todos os desafios e continuará a ser respeitado pela longevidade e importância que ocupa no imaginário dos alentejanos. Com mais ou menos leitores. Com mais ou menos prejuízos. Com democracia ou sem democracia nenhuma."
António José Brito

"Diário do Alentejo vai ter novo director
António José Brito deixará de ser director do "DA" a partir da próxima edição por decisão unilateral da maioria comunista na Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (Ambaal), que para tomar a medida nem precisou de reunir o conselho directivo, onde a CDU tem maioria absoluta desde 5 de Dezembro. Aproveitando o facto de o contrato do actual director terminar no próximo domingo, 18 de Dezembro, o presidente do conselho, João Rocha, comunicou quinta-feira ao fim da tarde a António José Brito a sua exoneração, sem que a medida tenha sido tomada em sede de administração, uma vez que a mesma não chegou a reunir-se depois das eleições. Apesar de não ter a maioria das câmaras na Ambaal, a CDU assegurou maioria absoluta no conselho directivo graças à abstenção de João Paulo Trindade, o novo presidente da Câmara de Alvito que, na sequência desse posicionamento, foi eleito líder da Assembleia Intermunicipal. Neste momento ainda é desconhecido o nome do futuro director ou sequer quem dirigirá o próximo número do jornal.

Três anos de pluralidade
O director agora afastado esteve um pouco mais de três anos no cargo, entre Setembro de 2002 e Dezembro de 2005. Durante este período o "DA" alterou substancialmente a sua linha editorial, tornando-se num jornal "plural e democrático". Ao longo deste período, passou de 32 para 44 páginas, ganhou conteúdos mais diversificados e de qualidade, melhorou a linha gráfica, foi aprovado por unanimidade um novo estatuto editorial, passou a contar com mais de 15 novos colunistas de todas as áreas políticas e sociais e houve uma extrema preocupação em ter um critério coerente e democrático com todas as forças políticas. Em termos económicos o "DA" registou um importante diminuição nos prejuízos. Em 2003 baixou ligeiramente em cerca de três mil euros, mas em 2004 o prejuízo do jornal diminui na ordem dos 115 mil euros (quase 23 mil contos). Em 2005 o valor do prejuízo deverá aumentar porque o jornal perdeu o Porte Pago e, desse modo, passou a custear portes de correio em cerca de 3.500 euros/mês. A par destas alterações notórias, o "DA" aderiu à Rede Expresso, criou uma nova página na Internet, com actualização diária de notícias, e reconstruiu a base de dados dos seus assinantes. Entre os aspectos negativos deste período, destaca-se a falta de abertura de uma delegação no Litoral Alentejano, a mudança para melhores e mais adequadas instalações em Beja e a eliminação total do prejuízo de exploração."