dezembro 22, 2005

Diário do Alentejo: o inevitável aconteceu


(Publicado também na Planície Heróica)

O Diário do Alentejo é propriedade da Associação de Munícipios do Baixo Alentejo e do Alentejo Litoral. O Director deste jornal é sempre nomeado pela Direcção da AMBAAL. A direcção da AMBAAL foi substituída em resultado das últimas autárquicas e, como tal, o cargo de director deste periódico podia estar em causa no caso da AMBAAL não abdicar de controlar o jornal. Ao que parece a direcção da AMBAAL não abdicou de o controlar.
As 'papas' habituais à pála dos dinheiros públicos. O costume...
É certo que o Diário do Alentejo tinha falhas muito graves. Fruto da envolvência na partidocracia provinciana que se vive em Portugal e, consequentemente, no Alentejo, confundia frequentemente pluralismo com politiquismo, o Diário do Alentejo nunca conseguiu fugir aos ditames dos senhores dos partidos que, com um oportunismo discutível, confundiam este jornal com as páginas de um 'boletim de empresa'. A sua voz estava sempre assegurada em crónicas atribuídas sem outro critério que não o de serem líderes políticos. E, digamo-lo com franqueza, o PS dominava-o motivando-lhe as causas e convidando-o a esquecer questões fundamentais. Recordamos, entre muitos outros exemplos, o apoio velado deste jornal à inenarrável ComUrb do BAAL que, de uma forma vergonhosa, foi acordada nas costas dos eleitores na cidade do Funchal . As desvantagens de uma regionalização feita num país de subsidiodependentes e de caciquismos vários, seria ilustrada - se não houvessem já os exemplos da Madeira e, em menor medida, dos Açores - por esta premencia de se mexer num dos supostos pilares da democracia (a Imprensa) como quem muda o sofá do gabinete.
P.S. 1: Lamentável a atitude do autarca de Alvito, o 'independente(?)' João Paulo Trindade. Ao fim e ao cabo a política partidária cria vícios... e que vícios!...
P.S. 2: Aborrecido, aborrecido é que não só esta situação não nos espanta, como a tínhamos já a previsto aí abaixo...

A notícia e o desabafo, que nos pareceu sincero, de António José Brito seguem já a seguir. Diga-se, antes de mais, que temos este jornalista por um homem sério e que acreditamos que 'Deus escreve direito por linhas tortas'... até pode ser que o saudoso 'O Campo' volte à ribalta, até pode ser que a televisão do Sul avance. Seja como fôr, estamos em crer que António José de Brito há-de arranjar um lugar à sua altura, livre de senhoritos e longe de figurões.

"D.A.
Em Setembro de 2002, quando a actual direcção assumiu o "Diário do Alentejo", o jornal era sectário e ausente de pluralismo. Só uma mente muito rebuscada, ou uma grave desonestidade intelectual, pode negar isso. Sabemos bem que a memória é curta, mas vale a pena lembrar que muita coisa mudou no "DA". Isso pode ser sentido todas as semanas, se se tiver um espírito independente. Acusar o jornal, hoje, de falta de isenção ou de alinhamento político com qualquer força, é uma ofensa aos seus leitores e uma imoralidade. Imoralidade porque, curiosamente, essa acusação vem sobretudo daqueles que durante 20 anos usaram o jornal como quiseram e entenderam, sempre ao serviço de uma estratégia partidária. Bem nos lembramos do estilo panfletário das manchetes, das inesquecíveis reportagens na Atalaia, dos oportunos e extensos apontamentos do general Vasco Gonçalves ou, claro, do objectivo branqueamento de um célebre "jantar da amizade", realizado em Beja, onde estiveram Carreira Marques, Lopes Guerreiro, Munhoz Frade, Rogério de Brito, Fernando Caeiros ou Joaquim Miranda. A memória é curta. Pois é, muitas vezes dá-nos jeito a memória ser curta. Hoje o "DA" não está submetido a estratégias partidárias e não envergonha os jornalistas que o fazem, porque são independentes no seu trabalho. Há notícias bem e mal escritas, reportagens que estão por fazer, entrevistas menos bem conduzidas, primeiras páginas mal elaboradas. Às vezes uma procura patética do equilíbrio democrático. Mas tudo isso é fruto de um trabalho puramente jornalístico, com virtudes e defeitos, mesmo que os do costume venham dizer o contrário – sim, os mesmos que não podem apontar um único exemplo de silenciamento e tiveram de se habituar à pluralidade e a terem o mesmo tratamento de todos os outros. Seja como for, o "DA" tem um longo e frutuoso futuro pela frente. Saberá estar à altura de todos os desafios e continuará a ser respeitado pela longevidade e importância que ocupa no imaginário dos alentejanos. Com mais ou menos leitores. Com mais ou menos prejuízos. Com democracia ou sem democracia nenhuma."
António José Brito

"Diário do Alentejo vai ter novo director
António José Brito deixará de ser director do "DA" a partir da próxima edição por decisão unilateral da maioria comunista na Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (Ambaal), que para tomar a medida nem precisou de reunir o conselho directivo, onde a CDU tem maioria absoluta desde 5 de Dezembro. Aproveitando o facto de o contrato do actual director terminar no próximo domingo, 18 de Dezembro, o presidente do conselho, João Rocha, comunicou quinta-feira ao fim da tarde a António José Brito a sua exoneração, sem que a medida tenha sido tomada em sede de administração, uma vez que a mesma não chegou a reunir-se depois das eleições. Apesar de não ter a maioria das câmaras na Ambaal, a CDU assegurou maioria absoluta no conselho directivo graças à abstenção de João Paulo Trindade, o novo presidente da Câmara de Alvito que, na sequência desse posicionamento, foi eleito líder da Assembleia Intermunicipal. Neste momento ainda é desconhecido o nome do futuro director ou sequer quem dirigirá o próximo número do jornal.

Três anos de pluralidade
O director agora afastado esteve um pouco mais de três anos no cargo, entre Setembro de 2002 e Dezembro de 2005. Durante este período o "DA" alterou substancialmente a sua linha editorial, tornando-se num jornal "plural e democrático". Ao longo deste período, passou de 32 para 44 páginas, ganhou conteúdos mais diversificados e de qualidade, melhorou a linha gráfica, foi aprovado por unanimidade um novo estatuto editorial, passou a contar com mais de 15 novos colunistas de todas as áreas políticas e sociais e houve uma extrema preocupação em ter um critério coerente e democrático com todas as forças políticas. Em termos económicos o "DA" registou um importante diminuição nos prejuízos. Em 2003 baixou ligeiramente em cerca de três mil euros, mas em 2004 o prejuízo do jornal diminui na ordem dos 115 mil euros (quase 23 mil contos). Em 2005 o valor do prejuízo deverá aumentar porque o jornal perdeu o Porte Pago e, desse modo, passou a custear portes de correio em cerca de 3.500 euros/mês. A par destas alterações notórias, o "DA" aderiu à Rede Expresso, criou uma nova página na Internet, com actualização diária de notícias, e reconstruiu a base de dados dos seus assinantes. Entre os aspectos negativos deste período, destaca-se a falta de abertura de uma delegação no Litoral Alentejano, a mudança para melhores e mais adequadas instalações em Beja e a eliminação total do prejuízo de exploração."

3 Comentários:

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