abril 13, 2005

E o fundo das costas lavado com água de malvas?...2

'À laia' de princípio de conversa, pode imaginar-se uma situação digna dos Monty Pytons ao seu melhor nível. Imaginemos alguém que se apresentasse perante um político (desses que aparecem um pouco por todo o lado) e lhe propusesse algo como:
"Boa tarde, chamo-me Artur, sou empresário e quero fazer uma empresa que lhe há-de resolver aí uns problemazitos... "
Como, pergunta o Dr.?
É fácil! dê-me aquela fábrica de ursos de peluche desactivada, arranje-me um subsídio de hummmm...sei lá!... uns 5 000 000 de euros, livre-me da concorrência e consiga-me 200 'gaijos' que não me 'chateiem a molécula' que eu, num ápice, monto aqui uma fabricazita de... vá, por exemplo, de coletes reflectores para a GNR!
Mas aviso já: se a GNR não quiser os coletes, se os trabalhadores me derem trabalhos ou se o dinheiro não aparecer, vou-me embora e fico ou com a fábrica, ou com a fábrica e com o dinheiro do subsídio que já tiver no bolso!..."
O impensável, perante uma proposta deste calibre, acontecia: o político em causa, babando-se aceitava-a todos sorrisos e palmadinhas nas costas e, no dia seguinte, fazia um comunicado em que se auto-atribuia os méritos pela reabertura da fábrica dos ursos.
A oposição irada reagia negando esses méritos que, no seu douto entender, lhes pertenciam.
O Carlos Alves perguntou, no seu comentário à 'E o fundo das costas...1', se havia informação pública disponível para a elaboração desta posta sobre a reabertura das 'Pirites Alentejanas', em Aljustrel. Há! O incrível de tudo isto é que o processo tem sido feito quase sem secretismos! Este processo tem-se desenrolado alegremente perante os olhos crédulos de todos!
Foram, muito resumidamente, estes os passos determinantes deste imbróglio:
1.-Depois de um subsídio de 17.000.000 de contos!!! investidos numa lavaria a empresa fechou em 1993. (Toda a gente sabe).
2.-O Estado, há dois ou três anos, deixou de ser accionista maioritário das Pirites. Previamente a empresa estrangeira, havia-se dado ao luxo de confirmar todas as sondagens geológicas feitas por uma equipa portuguesa idónea ligada à, salvo erro, EDM. (Dos jornais... até esteve no barbeiro local um recorte de uma notícia do Expresso relatando esta realidade!)
3.-Foi preciso esperar que a cotação do zinco subisse (dos jornais). O zinco subiu (dos jornais).
4.-Não contentes com esta premissa (anteriormente determinante) a Eurozinc (a empresa em causa) exige agora que, para além da manutenção do preço elevado do zinco, haja ainda a atribuição de um subsídio de mais de 14 milhões de contos e que não se verifique a eclosão de problemas laborais -greves!
5.- Os partidos mais votados na terra andam às turras para conseguir os méritos desta !!!POSSÍVEL!!! reabertura.
Por estar num link provisório, como o são todas as notícias do DA, deixo aí abaixo a notícia que dá conta da veracidade do ponto 4 (com destacados meus).
Quanto ao ponto 5 , tenho em meu poder um dos vários panfletos já publicados pelas forças políticas locais. De qualquer forma a notícia abaixo dá bem conta dessa situação...

"Mina de Aljustrel retoma laboração

Realizou-se na terça­-feira, 5, em Aljustrel, uma sessão promovida pela administração da empresa Pirites Alentejanas, para apresentação pública do projecto de retoma da actividade na mina de Aljustrel. Participaram da reunião, entre outras entidades, o presidente da empresa, James Drake, e o presidente da Câmara de Aljustrel, José Godinho. Foi, aliás, a autarquia que, logo na manhã seguinte, distribuiu pela população um comunicado sublinhando que "estão praticamente asseguradas as condições para que, finalmente, a exploração mineira possa ser retomada". Regozijando-se com o anúncio de uma decisão "da maior importância para o futuro de Aljustrel, pela qual nos vínhamos batendo desde o momento em que a mina suspendeu a sua actividade em 1993", o município felicita e homenageia os trabalhadores da Pirites e suas estruturas representativas, "que vêem assim coroada de êxito a persistente luta que travaram durante muitos anos".James Drake explicou que se prevê "um investimento de 100 milhões de dólares americanos" (cerca de 70 milhões de euros) no projecto de "pelo menos 10 anos". A ideia é introduzir alterações na lavaria de Aljustrel, preparando-a para a produção, e, durante um ano, extrair sobretudo zinco, mas também chumbo e cobre, do filão do Moinho. Ao mesmo tempo, iniciar a preparação da exploração do filão de Feitais, ao longo de dois anos, abrindo-se cinco quilómetros de túneis. Para o relançamento da actividade, a juntar aos 70 trabalhadores actuais, prevê-se a admissão de mais 200 trabalhadores permanentes.Segundo Drake, a aprovação deste projecto pela Eurozinc, o grupo que ficou com a Pirites Alentejanas, quando o Estado a privatizou totalmente, depende de três condições. A primeira, que o preço do zinco continue elevado no mercado mundial. A segunda, que sejam concluídas com êxito as negociações entre a Pirites e a Agência Portuguesa de Investimentos – "as conversações estão bem encaminhadas" –, no sentido de canalizar fundos comunitários e de outras origens. E a terceira, que haja um clima de "paz social" na empresa, durante cinco anos: "Necessitamos de ajuda e cooperação dos trabalhadores, através do sindicato. Oferecemos um aumento salarial de 15 por cento no arranque, mais um prémio de laboração se o preço do zinco metal se mantiver alto, mas precisamos que a mina, tal como a lavaria, labore sete dias por semana, embora ninguém trabalhe mais do que as 37,5 horas semanais".Se se verificarem estas três condições, assegura James Drake, a Eurozinc deverá tomar uma decisão "no decorrer deste trimestre", isto é, o mais tardar até Junho.Para além da Câmara de Aljustrel e do Sindicato Mineiro – ambos considerando o anúncio da eventual retoma como "histórico" –, também o PS de Aljustrel saudou a "nova" Pirites Alentejanas e o "projecto de refundação" das minas de Aljustrel, comprometendo-se "perante os munícipes a estar atento ao progresso da situação de salvaguarda dos interesses de Aljustrel". "Dia histórico, sim senhor!"Os trabalhadores da Pirites Alentejanas reuniram-se em plenário, em Aljustrel, na quarta-feira, 6, para analisar a proposta apresentada pela empresa, na véspera, tendo em vista o recomeço da exploração mineira.Na resolução aprovada, intitulada "Dia histórico, sim senhor! Já não são só os trabalhadores que acreditam na retoma das Pirites", os mineiros congratulam-se com as perspectivas de retoma. Contudo, "não se conformam" com a falta de uma data concreta para o reinício da laboração, nem com o facto de que "apenas se fale em cerca de 200 admissões quando sempre se falou em 350".Através do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, os trabalhadores fizeram chegar à administração da empresa as suas contrapropostas, que vão da formação de mineiros ao "clima social" preconizado, passando pelo prémio de produção, pela actualização do salário base e por novos horários.Carlos Formoso, presidente do STIM, mostra-se convencido de que "os termos e a disponibilidade expressos na resolução, particularmente quanto ao "clima social", são suficientes para que a administração antecipe e concretize a data para a retoma" da laboração. "Para que das entranhas da nossa terra os filões adormecidos sejam transformados em riqueza que reverta para o desenvolvimento económico e social da região e do País", preconiza. "
(Texto de Carlos Lopes Pereira no já citado DA)
08/04/2005 - 11h49
Lindo!...

2 Comentários:

às 11:22 da tarde, Blogger Carlos a.a. escreveu...

Francisco
Isto que relatas é o deboche completo!
As forças políticas ditas de esquerda aceitam e reclamam os louros da negação dos mais elementares direitos dos trabalhadores!
Nem a um destes neo-liberais que por aí se perfilam à conta do Estado se lembraria de tamanha façanha!
Os trabalhadores, esses, coitados, precisam é do pão a qualquer preço, mesmo o da vida!

 
às 9:14 da tarde, Anonymous Anónimo escreveu...

Best regards from NY! film editing classes

 

Enviar um comentário

<< Home